Tricolor ziguezagueante

O Fluminense havia goleado duas vezes o Vasco em 2017 – no Engenhão e no Maracanã.

Como que para variar o cardápio de palcos, vencia-o outra vez, em São Januário, de virada, diante de mais de 20 mil pessoas.

Mas a segunda virada no clássico, construída a partir dos 29 minutos do segundo tempo, ratificou a era de extremos que vive o time de Abel Braga.

Nas últimas 11 partidas em que jogou com a sua formação principal, o Tricolor ou ganhou ou perdeu.

Não por coincidência, este período data do fim da fase de grupos do Campeonato Estadual, no início de abril, quando os enfrentamentos com os sparrings – como podem ser considerados hoje os clubes de menor investimento do Rio – ficaram para trás.

Isto é, a irregularidade nos resultados e atuações da garotada tricolor se aguçou a partir dos jogos contra as maiores forças do país.

Nesta série, o Fluminense enfrentou três dos clubes que ocuparam o G4 do Brasileirão do ano passado, além do Grêmio, campeão da Copa do Brasil.

Teve sucesso contra Santos e Atlético-MG, mas foi derrotado por Flamengo e por seu adversário das oitavas do mata-mata nacional (jogo de volta nesta quarta, às 19h30, no Maracanã).

Para um time com ainda tão pouca quilometragem (média de 24,9 anos), o ganha e perde deverá ser a tônica até o fim do ano.

Em 2011, também com Abel, o Fluminense, então campeão, empatou apenas três vezes no Brasileiro. O número de derrotas (15) foi ligeiramente inferior ao de vitórias (20). O time terminou em terceiro.

Contra o Vasco, pelo que jogou, o 2 a 2 já era satisfatório, sobretudo porque o Flu já vinha de uma vitória fora de casa (2 a 1, no Horto).

Nos acréscimos, o time teve dois escanteios seguidos. Era o caso de prender a bola, valorizar o tempo.

Mas Marquinho, curiosamente o segundo jogador mais velho do elenco, 30 (só perde para Cavalieri, 34), em vez de tocar curto ao companheiro mais próximo, cobrou ambos na área do Vasco.

Como 99% da torcida tricolor, não considero Marquinho um jogador em condições de vestir a camisa do Fluminense. Não cria nada, não ajuda na marcação (no lance do terceiro gol, não acompanhou a jogada), é geralmente infrutífero. Insistir com ele tem sido certeza de frustração.

Marco Júnior e Maranhão são outros que, quando anunciados, a torcida respira resignada: sabe que dali dificilmente algo sairá.

Mas como o time que vai ganhar e perder, Abel também vai acertar a errar.

Seu saldo é amplamente favorável, o trabalho com a meninada é exemplar. Tem ainda de administrar à frente do grupo problemas extracampo; a diretoria devia até há poucos dias quatro meses de direito de imagem (pagou metade).

O Vasco teve o mérito de conseguir anular os desafogos do Flu, como as jogadas pelas laterais e as escapadas de Richarlison. O jogo no primeiro tempo foi disputado, mas travado.

Nos dois lances de perigo, o zagueiro tricolor Nogueira foi protagonista: no primeiro porque deixou Luis Fabiano livre para abrir o placar; no outro, porque ele próprio acertou o travessão de Martín Silva.

O goleiro uruguaio, por sinal, nem saiu na fotografia nas duas cobranças de Henrique Dourado. O Ceifador chegou a cinco gols no Brasileiro e disparou na artilharia do campeonato.

Ainda sobre os pênaltis, que de fato aconteceram, louva-se a personalidade do árbitro paulista Raphael Claus de marcá-los. Não me recordo, em tempos recentes, de o Vasco ter assinalado contra ele dois pênaltis em sua casa.

Mas, apesar da virada, desta vez a inexperiência pesou e o time não conseguiu manter o embalo no Brasileiro, que tentará recuperar sábado que vem, contra o Vitória, de Petkovic, no Maracanã, às 21h.

Após uma derrota dolorida, vejamos como será o comportamento do time quarta, contra o Grêmio, no difícil desafio pela Copa do Brasil.
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