Estreito

Richarlison foi o personagem de Palmeiras x Fluminense. E ele nem esteve em campo. Ou melhor, sequer viajou para a capital paulista.

Envolvido em uma negociação entre os clubes, o jovem atacante tricolor, mais uma das vítimas da ganância dos agentes do futebol, alegou, talvez orientado pelos próprios, intranquilidade para atuar – o Flu, com o pires na mão, cedeu.

A ética no esporte de novo em voga.

A tendência é mesmo que saia. Uma nova conversa foi feita durante o jogo entre o diretor de futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos, e Pedro Abad, mandatário tricolor.

Abad nunca escondeu que venderia ao menos um jogador. Além dos R$ 40 milhões, o clube paulista pode envolver ainda um ou dois atletas na negociação.

Não faz nem cinco anos, era o Fluminense quem contava com o aporte milionário de seu patrocinador. Tinha em seu elenco jogadores renomados como Deco, Thiago Neves e Fred.

No jogo do título, em Presidente Prudente, enfrentou justamente um Palmeiras em frangalhos, que vivia crise de identidade, com a seca de títulos de expressão e envolto com a ameaça de uma terceira queda à Série B no intervalo de apenas dez anos.

Já o Flu nadava em glórias e alcançava o tetracampeonato brasileiro, o terceiro título nacional em seis anos.

A roda girou, o Palmeiras se organizou, equacionou finanças e teve sucesso na reforma de seu estádio, o que fez alavancar seu plano de sócios-torcedores.

Em janeiro de 2015, dias depois de Flu e Unimed anunciarem o fim da parceria de 16 temporadas, o Palmeiras atravessava o caminho do São Paulo e fechava um contrato com a Crefisa, que lhe deu o conforto financeiro de que precisava.

A ponto de conseguir tirar jogadores de concorrentes do próprio mercado nacional, como já havia feito com o zagueiro Luan, do Vasco.

Sem Richarlison, o Flu verá seu elenco já enxuto ainda mais diminuto.

Para agravar, o volante Luiz Fernando sofreu uma entorse séria no joelho esquerdo e deverá ficar um tempo longe dos gramados. No meio de semana, Mateus Norton completará a colcha de retalhos tricolor.

O Flu enfrentou o atual campeão brasileiro também sem a sua dupla titular de equatorianos. Sornoza se recupera de cirurgia no tornozelo esquerdo, e Orejuela está servindo a seleção.

Mesmo com tantas baixas, Abel não se ajuda. Escalar Marquinho como titular é como iniciar com menos um. A insistência com o meia é um dos maiores enganos do treinador.

Substituto de Richarlison, Calazans, sim, correspondeu. Com boa visão de jogo, deu o passe para o gol de Henrique Dourado (o sétimo) e cruzou na cabeça de Marco Júnior, já nos acréscimos, que perdeu o gol de 2 a 2.

Antes do intervalo, Henrique Dourado já havia chutado em cima de Prass outra oportunidade clara de gol.

Em um jogo com poucas chances para ambos os lados, o Flu, taticamente bem em campo (sobretudo no primeiro tempo), merecia ter voltado de São Paulo pelo menos com o empate.

O 3 a 1 (Roger Guedes, em contra-ataque, marcou no último lance da partida) foi um placar por demais enganoso à partida.

Cada vez mais sem elenco, o Fluminense recebe o Grêmio quinta, no Maracanã.

A opção por não contratar é perigosa. As baixas são muitas e, apesar do bom início, não se sabe quando o grupo sucumbirá.

Luiz amarela acesa.

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