Em terreno argiloso

A situação do Fluminense no Brasileiro não é mais sequer razoável.

O time não vence há cinco partidas e estagnou sua pontuação no campeonato.

Como consequência, uma inevitável queda livre na tabela, em que já aparece em 15º.

Como há 13 times embolados na parte de baixo, matemáticos garantem que nem 46 pontos serão suficientes para permanecer na elite.

Certeza mesmo só poderá ser dada para quem fizer, no mínimo, 47.

Em 2013, o Flamengo foi salvo(?) pela Portuguesa de uma queda à Série B.

O Flu terminou em 15º graças à trapalhada(?) da dupla, que, se não tivesse acontecido, atingiria o próprio Tricolor, que terminou a competição com 46 pontos.

Há 12 rodadas do fim, o Fluminense já se encontra quase numa situação de precisar vencer uma a cada duas partidas.

Seis vitórias o levariam a 49 pontos, número que o garantiria.

O que mais preocupa, além do parco futebol, é que, ao lado do Atlético-GO, o Flu é o time que menos venceu na competição (sete).

Soma-se a estas a enxurrada de empates da equipe (dez).

E temos a explicação para a perigosa situação em que o Flu se meteu.

Para se manter entre os raros clubes que nunca caíram na era dos pontos corridos, o Fluminense vai ter que vencer no terço final do Brasileiro quase o mesmo número de vezes que nas 26 rodadas já ultrapassadas.

Luz grená acesa.

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Diego Cavalieri teria ganhado as manchetes de segunda-feira se o Flu não tivesse sofrido pela enésima vez um gol no fim da partida.

O goleiro teve uma atuação de encher os olhos, que surpreendeu a muitos – a este colunista, inclusive, sempre muito crítico a ele –, praticando pelo menos quatro defesas salvadoras.

O banco, ao que parece, fez bem a Cavalieri, que andava desinteressado e sofrendo gols tolos, por questões de posicionamento e falta de iniciativa.

Se continuar  assim, terá sua titularidade garantida.

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Sigo entusiasta da garotada. Não são responsáveis pela situação do Fluminense.

Está visível que não seguraram o rojão de sustentarem sozinhos um clube do tamanho do Fluminense.

Desde a partida contra o Vasco, a terceira do returno, o time simplesmente parou.

O futebol sumiu.

Muitos já não jogam nada, estão travados, paralisados.

Sentem-se agora ainda mais pressionados, carregam o peso de terem de tirar o clube dessa.

Está osso, como se diz na linguagem popular.

A hora é do presidente e dos homens do futebol chamarem para si a responsabilidade.

Fazer como o prefeito do Rio, que só veio a público uma semana depois da ocupação na Rocinha, abalará ainda mais o prestígio da cúpula, que anda chamuscado.

Organizem-se para o terço final do campeonato e levem a público suas ideias, pretensões e o que farão para colocar o Flu nos trilhos.

Deixar tudo nas costas grandes de Abel, que também vem pecando muito em escalações, substituições e até no plano tático, e da garotada não me parece algo digno das tradições do Fluminense.

A corda está curta, mas ainda a tempo de ser puxada.

Sob risco de a governança sucumbir logo no seu primeiro ano.

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