Encolhendo o Flu

Não me lembro de começo de ano tão desalentador para a torcida tricolor quanto este de 2018. Nem mesmo quando o Fluminense se escafedeu pelas bandas da Série C, o cenário era tão sem esperança.

Naquele 1999, apesar de estar padecendo nas catacumbas do futebol brasileiro, o Fluminense ganhou como enorme alento um quadro de campeões mundiais que topou o desafio de reerguer o clube.

Carlos Alberto Parreira, Américo Faria, Moracy Santana, Jairo Leal e Lídio Toledo, alguns dos heróis da conquista do Tetra, em 1994, conferiam dignidade à instituição, resgatando entre os torcedores parte de seu orgulho ferido.

Ao contar com alguns dos melhores profissionais do ramo, o clube reafirmava a sua grandeza, mostrando que, ainda que no pior momento de sua história, não lhe faltava ousadia.

O Flu trouxe Túlio Maravilha, anunciou o consagrado goleiro belga Preud’homme (esteve no Rio, mas o negócio acabou não se confirmando), tinha ainda em seu elenco jogadores como Válber, Roger, Yan, Marcão, Magno Alves e Roni.

Mesmo na Série C, o Flu estava de volta às manchetes, ganhava as primeiras páginas, alvoroçava o mercado da bola com notícias que animavam seu torcedor.

Dois mil e dezoito começa com o Flu na Série A, mas com o clube de novo em dificuldades e sendo preterido até por jogadores medianos. De quebra, em efeito cascata, vem perdendo seus melhores atletas, casos de Henrique, Lucas (se o Palmeiras não desejava contar com o lateral e o emprestou ao Vitória, por que o Flu não tentou permanecer com ele?), Wendel, Wellington Silva e, quiçá, Gustavo Scarpa, em litígio com o clube.

Diante de tal cenário, chega a ser inacreditável que a direção ainda ouça proposta por Henrique Dourado, uma das raras lideranças que sobraram no time, além de profissional comprometido, eficiente e ídolo da garotada.

A torcida vem aos poucos deixando os estádios, não confia no time, na direção, e teme pelo pior, apesar da promessa de Autuori de que o elenco será reforçado.

O clima de fim de feira e a falta de brios dos mandatários, que em seus sucessivos desatinos vêm desvalorizando a marca Fluminense, contribuem para o estado de prostração, deixando a autoestima do torcedor mais baixa até do que aquele começo de 1999, que terminou com a conquista do título nacional.

Mesmo em tempos de crise, a direção se mostra inábil para lançar mão da criatividade, reduzindo o Flu a um clube de esquina, amedrontado como um cachorrinho perdido.

Enquanto não agirem como o leão que o Flu é, estaremos, lamentavelmente, fadados ao papel de coadjuvante.

Salvem o querido pavilhão!

________________________________________________________________________

E-mails para esta coluna: joaogarcez@yahoo.com.br

Curta a nossa fanpage: https://www.facebook.com/BlogTernoeGravatinha/