Heroico!

Era o ducentésimo quinquagésimo jogo do Fluminense sob o comando de Abel Braga, total que o treinador acumula desde a primeira das três passagens pelo clube, em 2005.

Se só o número já o enchia de orgulho, ao apito final do polêmico e controverso Jean Pierre Gonçalves (RS), Abelão, que pedia uma vitória como presente – “é como se fosse um aniversário” –, não só a obteve, como assistiu, de posição privilegiada, a outra atuação escorada naquela que é a principal marca da garotada – a alma tricolor.

Como resultado, uma vitória maiúscula sobre um dos favoritos à conquista do título, o Atlético-MG, quarto colocado na edição passada e, na atual temporada, avassalador no Estádio Independência (até então, eram 11 vitórias em 11 jogos).

Vale lembrar que o Tricolor já havia vencido o atual vice-campeão brasileiro na rodada de abertura – o Santos.

Contra o Galo, Abel deu logo a receita. “Aqui, temos que jogar. Senão, leva”.

Dito e feito. Sob uma atmosfera de intensa pressão, de estádio cheio, o Flu, com Nogueira no lugar de Renato Chaves, barrado, jogou como gente grande.

Bem postado, com a defesa rechaçando todas, tocando de pé em pé, firme na marcação.

Era a receita de sucesso do Flu ante o campeão mineiro, que só não contou com Robinho, substituído por Otero.

O time contou também com a volta do ainda desritmado mas imprescindível Gustavo Scarpa, recuperado de uma fissura no pé direito.

Em campo por alguns minutos contra Santos e Grêmio, o meia, que havia feito quatro gols em oito jogos, não iniciava uma partida desde 25 de fevereiro, três meses, praticamente.

Do outro lado, o ex-capitão e ídolo da torcida do Fluminense, Fred, a exemplo do encontro anterior, não assustou. Sua única finalização ao gol de Cavalieri, aos oito, parou numa defesa segura do goleiro.

Em vez dele, seu antigo companheiro de Flu, o menino Richarlison, fez a diferença no Horto, onde ainda não perdeu pelo clube carioca – com mais esta, agora são duas vitórias (uma sobre o América-MG) e um empate.

Sofreu o pênalti, cometido por Marcos Rocha, e convertido por Henrique Dourado (dez gols em dez cobranças), e, dois minutos depois, marcou o segundo, de cabeça, no contrapé de Victor, em bola cruzada por Dourado, artilheiro do Brasileirão (três), que retribuiu a gentileza.

Na comemoração, Richarlison abriu o sorriso e, diante de uma câmera de TV, deixou transbordar todo o seu orgulho por defender o decano entre os gigantes do país: “Fluzão”.

Fluzão. Do menino onipresente Wendel, do artilheiro Dourado, de Abelão, todos eles notáveis personagens da vitória em Belo Horizonte, além do próprio Richarlison.

Pelo Galo, não teve para Elias, não teve para Cazares, tampouco para Fred, que já coleciona duas derrotas em dois jogos contra o ex-time.

Excelente na marcação, o Flu segurou a onda na técnica, na raça e na grandeza de seu escudo – mesmo com um a menos nos últimos 18 minutos (Sornoza se lesionou sozinho e teve que deixar o campo, quando Abel já havia feito as três substituições).

Grande vitória. Justa, limpa, heroica.

Abel a merecia, o grupo a merecia, o Fluminense a merecia.

Há, entre todos os profissionais, honestidade, vontade de acertar.

Em campo e fora dele, a conduta é irrepreensível, exemplar.

Palmas que eles merecem.

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